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Companhia estuda nos EUA ‘nova geração’ de fluidos refrigerantes; no Brasil, investe na substituição de CFCs e HCFCs 

Companhia pioneira na descoberta dos alternativos aos CFCs agora busca antecipar eliminação dos compostos prejudiciais à camada de ozônio, e avança com estudos em torno de ‘nova família’ de fluidos refrigerantes

Mercado automotivo aguarda para 2011 o lançamento comercial do primeiro substituto do HFC 134a, que uniu as gigantes DuPont e Honeywell 


São Paulo – A Divisão Fluidos Refrigerantes da DuPont promete para os próximos meses novos lances em sua ofensiva global pela eliminação das substâncias danosas à camada de ozônio.  A companhia, que ao final da década de 1980 tornou-se a primeira a produzir fluidos refrigerantes alternativos aos CFCs, deverá novamente revolucionar a indústria ao prever para o ano de 2011 o início de comercialização do fluido refrigerante “HFO” 1234 yf – o nome é provisório. Este composto é indicado para substituir o R-134a em sistemas de ar condicionado automotivo, com excelentes diferenciais ambientais e excelência em performance. 

Junto ao provável lançamento do HFO 1234 yf, ou hidrofluorolefina, a DuPont Refrigerantes manterá seus investimentos na realização de pesquisas aplicadas à descoberta de fluidos refrigerantes ambientalmente sustentáveis, estudos que se encontram em estágio avançado nos EUA. Esses esforços, segundo informes recentes publicados pela companhia americana, deverão logo ser recompensados pelo surgimento de um novo grupo de produtos, dotado de propriedades inéditas quanto ao potencial de aquecimento global (GWP). 

A DuPont também segue focada numa estratégia que busca antecipar a eliminação dos CFCs e HCFCs, com o emprego dos refrigerantes da marca ISCEON™. Particularmente no Brasil, a companhia comemora os resultados de vendas desta linha de produtos, com crescimento de 30% ao ano desde 2007, quando a marca foi lançada no País.

ISCEON™ X CFCs e HCFCs

Segundo a direção da DuPont, os refrigerantes ISCEON™ constituem hoje a melhor solução disponível para adequar os equipamentos de refrigeração e condicionamento de ar às exigências do Protocolo de Montreal − documento celebrado mundialmente, em 1989, que prevê prazos para a descontinuidade da produção e do uso de substâncias que destroem a camada de ozônio. Por sinal, no Brasil os CFCs deixaram de ser fabricados no fim da década de 1990 – numa antecipação às regulamentações do Protocolo de Montreal para países em desenvolvimento. Já a importação desses produtos pelo Brasil, foi banida em 2007.

A linha ISCEON™ conta com diversas aplicações, específicas, nas operações que o mercado de refrigeração conhece como retrofit* − o procedimento que permite a retirada segura de refrigerantes CFCs e HCFCs ainda em uso em equipamentos e sua substituição pelos itens da marca ISCEON™.

“Ao lançar a linha ISCEON™, a DuPont Refrigerantes deu um importante passo para erradicar os CFCs e HCFCs em uso no Brasil”, diz o gerente de negócios para a América Latina, Maurício Xavier. “Atualmente nosso maior desafio é o de impulsionar a substituição dos HCFCs. Embora esses produtos concentrem menor potencial de destruição da camada de ozônio comparativamente aos CFCs, já há condições para que possamos trocá-los por compostos ainda melhores do ponto de vista da sustentabilidade ambiental”, enfatiza o executivo.

Retrofit = tecnologia criada pela própria DuPont, que possibilita a troca do fluido refrigerante em equipamentos antigos de refrigeração, fabricados em períodos anteriores à restrição de uso dos CFCs e HCFCs.

Escassez

Marcelo Dias, líder de Fluorquímicos da DuPont, acrescenta que no ano de 2013 vários HCFCs terão sua importação limitada no Brasil. “Isto obrigará às empresas usuárias de sistemas de refrigeração e ar condicionado a procurar pelo retrofit”, assinala o executivo. Ele acredita que o prazo em questão elevará rapidamente a demanda pela substituição dos compostos que destroem a camada de ozônio, sobretudo nos segmentos de varejo, química e petroquímica e siderurgia; no mercado imobiliário; na indústria têxtil e em outros setores considerados menos avançados quanto ao cumprimento do Protocolo de Montreal. “O retrofit faz com que equipamentos antigos continuem funcionando normalmente, com desempenho potencialmente superior em muitos casos, e até mesmo com ganhos em eficiência energética”, sublinha o gerente da DuPont.

Para Dias, a tendência de aumento das operações de retrofit pode ser medida pelo que está acontecendo na Europa e nos Estados Unidos. De acordo com o executivo, a EPA, a agência ambiental norte-americana, calcula que já em 2010 aproximadamente 140 mil toneladas de R-22 deverão deixar de circular naquele país. A análise da agência baseia-se tanto em projeções de demanda por condicionadores de ar e fluidos refrigerantes como também na legislação americana que prevê a eliminição de HCFCs como o R-22 em equipamentos novos a partir do ano que vem. “Nos próximos anos poderemos viver aqui uma situação parecida, se considerarmos ao mesmo tempo o bom cenário econômico brasileiro e as próprias metas do Protocolo que estão sendo perseguidas pelo País”, afirma o gerente da DuPont.

Leia mais sobre o “HFO 1234yf” ou ‘hidrofluorolefina’

O novo fluido refrigerante HFO-1234yf – ou hidrofluorolefina − deverá ser comercializado a partir de 2011. Sua descoberta representa um marco no tocante à proteção do clima e à promoção da sustentabilidade na indústria automotiva. “Trata-se de um fluido refrigerante que oferece potencial de aquecimento global bem menor que o HFC 134a, hoje largamente usado na indústria automotiva mundial”, explica Maurício Xavier, gerente de negócios para a América Latina.

O executivo ressalta que o novo produto também conta com o aval da SAE International – Society of Automotive Engineers – e que seu potencial de destruição da camada de ozônio “é igual a zero”. Xavier acrescenta ainda que as informações divulgadas recentemente pela mesma SAE dão conta de que o HFO 1234yf apresenta potencial de redução de emissões equivalente a 2.200 milhões de litros de combustível (590 milhões de galões). Para efeito de comparação em relação ao R-134a, seria o mesmo que retirar das ruas anualmente em torno de 1,5 milhão de veículos.

O desenvolvimento do fluido refrigerante HFO-1234yf avançou graças a um esforço conjunto entre DuPont e Honeywell − as duas maiores fabricantes globais de gases para refrigeração e condicionamento de ar – e conta com o reconhecimento da EPA, a agência ambiental norte-americana. “Podemos adiantar que o novo refrigerante é altamente compatível com os sistemas existentes no mercado. Seu perfil ambiental sinaliza a possibilidade de os fabricantes de automóveis cumprirem o prazo final regulatório da União Européia para início de substituição do 134a, que começa a valer em 2011”, finaliza Maurício Xavier.

Protocolo de Montreal, retrofit e setores-chave no Brasil

O ritmo dos negócios envolvendo fluidos refrigerantes alternativos tende a se intensificar nos segmentos da economia que foram despertados recentemente para as metas do Protocolo de Montreal, segundo acredita o gerente Marcelo Dias. “Já registramos nos últimos dois anos um aumento representativo na demanda por fluidos alternativos, motivada por operações de retrofit* realizadas pelas empresas de logística, transportes e turismo, varejo e nas construtoras e administradoras de condomínios”, informa.

Marcelo Dias enfatiza, no entanto, que o segmento de mercado que responde pelo maior volume de vendas da DuPont é o automotivo. “A forte demanda por veículos equipados com ar condicionado tem puxado os negócios na área. Em 2005, menos de 50% dos automóveis produzidos saiam de fábrica equipados com ar condicionado – hoje esta taxa já ultrapassa 60%”, acrescenta Dias.